Bulimia

Notícias de psicólogos e psiquiatras de São Paulo, dão conta do exagerado número de pessoas sofrendo de bulimia. Seria útil, então, olhar para as características desse transtorno alimentar, a fim de ficar sabendo um pouco mais sobre ela e seu tratamento.

Para começar, vamos entender o que é a bulimia.

A palavra vem do grego, significa “que tem fome de boi, uma fome devoradora”. Bem escolhida, portanto, a palavra, para descrever o distúrbio do apetite que se caracteriza por episódios incontroláveis de comilança desenfreada.

Arriscando-me a ficar chato, mas com a intenção inclusive de mostrar como o médico faz o diagnóstico, apresento aos leitores os critérios para diagnóstico do transtorno, de acordo com a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças). Se estiver muito complicado para entender, paciência. Leiam o texto de novo, vão procurar no dicionário eventuais palavras desconhecidas, escrevam-me perguntando sobre suas dúvidas.

Todos os seguintes critérios são requeridos para se fazer o diagnóstico:

  • uma preocupação persistente com o comer e um desejo irresistível de comida; o paciente sucumbe a episódios de hiperfagia, nos quais grandes quantidades de alimento são consumidas em curtos períodos de tempo.
  • o paciente tenta neutralizar os efeitos “de engordar” dos alimentos através de um ou mais do que se segue: vômitos auto-induzidos; abuso de purgantes; períodos alternados de inanição; uso de drogas tais como anorexígenos (remédios para perder o apetite), preparados tireoidianos ou diuréticos. Quando a bulimia ocorre em pacientes diabéticos, eles podem escolher negligenciar seu tratamento insulínico.
  • a psicopatologia consiste de um pavor mórbido de engordar e o paciente coloca para si mesmo um limiar de peso nitidamente definido, bem abaixo de seu peso pré-mórbido que constitui o peso ótimo ou saudável na opinião do médico. Há freqüentemente, mas não sempre, uma história de um episódio prévio de anorexia nervosa, o intervalo entre os dois transtornos variando de poucos meses a vários anos. Esse episódio prévio pode ter sido completamente expressado ou pode ter assumido uma forma “disfarçada” menor, com uma perda de peso moderada e/ou uma fase transitória de amenorréia.

A definição é clara, fala por si. E o tratamento?

Vamos ver o que diz um dos tratados de referência da Psiquiatria:
(Compêndio de Psiquiatria do Kaplan e Sadock ):

“O tratamento da bulimia nervosa consiste de várias intervenções, incluindo psicoterapia individual, de grupo, terapia familiar e farmacoterapia (remédios). A maioria dos pacientes com bulimia nervosa sem complicações não necessita de hospitalização. Entretanto a psicoterapia frequentemente é tempestuosa e pode ser prolongada. Em alguns casos – quando a compulsão periódica está fora do controle, quando o tratamento ambulatorial não funciona ou o paciente exibe sintomas psiquiátricos adicionais como tendências suicidas ou abuso de substâncias – a hospitalização pode tornar-se necessária. Além disso, em casos de purgação severa, as perturbações eletrolíticas e metabólicas resultantes podem exigir a hospitalização”.

Note-se que é muito importante uma abordagem multiprofissional (vários tipos de profissionais atuando no caso).

Dr. José Roberto Campos de Oliveira

Médico pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em Psiquiatria pela AMB e ABP. Psicanalista pelo Inst. Sedes Sapientiae. Mestre em Ciências pela FMUSP.

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